A espreita no canto do bar, lá estava ele, de sobretudo preto e barba mal feita.
Tomava uma bebida escura, de colarinho avantajado, que deixara espuma em seu bigode.
Não olhou para a porta em nenhum momento, mesmo quando essa abria e fechava, num compasso indefinido.
O relógio cuco na parede marcava os segundos, que faziam força para não passar.
Estava camuflado atrás da sombra que a pilasta fazia, no canto esquerdo de quem entra.
Dois, três, quatro quartos de hora.
A porta se abriu.
A bela moça de ossos finos e nariz avantajado carregava um rubor na face, pela tarde fria que se embrulhava lá fora.
Ajeitou o cachecol, enquanto passava os olhos calmamente pela sala.
Seu olhar então cruzou o dele, despercebidamente fixo, desde que ela entrou. Ela sorriu sem mostrar os dentes.
Ele levantou sem fazer um único ruído, tirou a pistola prateada por debaixo da roupa e como num de jà vú, onde já mirara dezenas de vezes antes, atirou.
Silêncio.
Na cena noir, o contraste entre o sangue derramando e o chão de taco polido era quase imperceptível. Não causou asco algum em quem assistia, nenhum deles parecia abalado.
Olhavam como fantasmas o corpo estendido. Alguns nem se deram ao trabalho de parar o que faziam. Ninguém levantou os olhos para ele.
Ele limpou o cano, colocou novamente por entre o corpo e a roupa, passou por cima da dama já sem vida e saiu pela porta. Seus olhos fundos, verdes, pareciam cinzas.
Sua missão fora cumprida. Matara a saudade.
terça-feira, janeiro 15
Te amo escondido!
Escondido do meu coração, e das verdades.
Da distância e das cidades.
Te amo num outro tempo, num quarto de segundo, ou num quarto de hotel.
Te amo nas entrelinhas, nas estrelas, nas esferas, na feirinha!
Te amo entre melões, melancias, amoras e maçãs.
Te amo no escuro, no crepúsculo, no lusco-fusco, no claro, na luz, no fundo, no raso!
Te amo repetidamente, cadenciadamente, te amo corrido, numa escrita que não para, entre os metrôs paraíso, e Jabaquara.
Te amo quando pode, quando dorme, quando acorda, quando você me dá corda.
Te amo e é tão raro! Tão rápido, tão escrito, demorado.
Te amo hoje, à meia-noite, num tempo sem fim.
Te amo quando leio memórias, quando vejo as fotos, quando olho para dentro de mim.
Ai, ai.
Da distância e das cidades.
Te amo num outro tempo, num quarto de segundo, ou num quarto de hotel.
Te amo nas entrelinhas, nas estrelas, nas esferas, na feirinha!
Te amo entre melões, melancias, amoras e maçãs.
Te amo no escuro, no crepúsculo, no lusco-fusco, no claro, na luz, no fundo, no raso!
Te amo repetidamente, cadenciadamente, te amo corrido, numa escrita que não para, entre os metrôs paraíso, e Jabaquara.
Te amo quando pode, quando dorme, quando acorda, quando você me dá corda.
Te amo e é tão raro! Tão rápido, tão escrito, demorado.
Te amo hoje, à meia-noite, num tempo sem fim.
Te amo quando leio memórias, quando vejo as fotos, quando olho para dentro de mim.
Ai, ai.
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