quinta-feira, junho 5

Null

Houve uma época onde não existiam palavras. E certamente foi ha muito, muito tempo atrás.
Uma época em que não havia a linguagem escrita, desenhada, iconografada, transposta.
Uma época de sentimentos. De sentido, de momento.

Agora sim eu entendo. Essa fissura, essa vontade, essa sopa de letrinhas!

Mas ora, houve um tempo onde não havia semântica, sintaxe, paralaxe, antítese. Eram só sentimentos.

Agora, me entristece pensar como deviam ser mais felizes. Sem redundâncias na tentativa de intensificar o que se sente, e não se transmite. Você consegue sentir o mesmo, agora?

AMOR, AMOR, AMOR! Porque eu te AMO! Mas não, não é o bastante.

Eu me apaixonei pelas letrinhas enfileiradas nas linhas dos cadernos. Eram linhas azul-claras.
Eu até tentei me aprofundar como uma fiel à língua, mas eram só... Oras, linhas, preenchidas.

Então tentei buscar no resto, no todo, algo que completasse. Que enchesse de verdade cada centímetro dos parágrafos.

Agora, engraçado. Lembro-me de alguém dizendo que precisamos fazer imagens mentais, para concretizar o que queremos. Eu queria então, transpor fielmente minhas imagens mentais. E é claro que me frustrei.

Cheguei a imaginar que esse "todo" estaria escrito em outra língua. Ou que talvez existisse um texto filosófico, científico, psicanalítico, sociológico, cultural, mas.. oras! Não, não encontrei!

E aí, que numa conversa descompromissada, eu soube da verdade. Houve uma época onde não existiam palavras. E certamente eles eram mais felizes...

Um comentário:

Homero Meyer disse...

E talvez tudo que nasce, algum dia, deva mesmo ter fim...