Pro resto da minha vida, não terei mais seu amor.
Não terei também, seus carinhos frios, seu olhar ríspido, sua mente vaga.
Não terei seus dias frios de geada a derreter, de janela embaçada pela respiração incessante da madrugada, sua garoa frígida a gelar minh'alma.
A boemia das noites curitibanas continuarão a mesma. Não importa quem dali se ausente.
Na realidade, esse canto histórico permanecerá o mesmo por décadas. No passado e no futuro.
A única boa lembrança que talvez ainda fique ali impregnada, são alguns dias alegres de primavera, onde jovens foram apresentados a um novo mundo, no velho mundo curitibano.
Minhas memórias estão estancadas naquele centro, e junto a de muitos outros estão. Em cada tijolo do século passado, em cada lustre ali datado de 1870, em cada alma que ali passara sua madrugada.
Tenho asco.
Tenho nojo da mesmice, agonia do tempo parado, nostalgia da desesperança que essa cidade me traz.
Curitiba fica congelada no progresso de cidade do futuro, com suas bases no passado, com aqueles que buscam a liberdade de poder andar a pé pelas ruas de uma província amarga e cinza.
De você, apenas espero que continue, assim só, como sabe ficar, congelada em minha mente, parada no presente. Um dia quem sabe, quando for visitar alguma boa lembrança ali esquecida, vou sentar em um de seus bancos de pinho escuro, e dissertar sobre um passado longínquo. Poderei dizer que cada pedra colocada na época do barão continua lá, cada flor hermeticamente colocada naquele relógio continua a florescer, cada ipê continua metodicamente roxo na primavera, e amarelo no outono. Cada pessoa continua a gerar sua família... seus filhos, seus netos.
Não, não se preocupe em me cativar. De você só espero as pessoas frias, seu sotaque agoniante, seu pinhão, seu champagnat, sua santa felicidade.
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Um comentário:
Uma cusparada. Uma escarrada. Verde e seca!
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